Os Certificados de Aforro são um dos produtos de poupança mais populares em Portugal, especialmente para quem procura segurança e capital garantido pelo Estado.
Em 2026, com a taxa base a rondar os 2,356% e prémios de permanência que podem chegar a 1,75%, continuam a ser uma opção relevante — mas será que ainda compensam face à inflação e a outros produtos?
O que são os Certificados de Aforro
Os Certificados de Aforro são títulos de dívida pública, ou seja, ao subscrevê-los estás a emprestar dinheiro ao Estado português. Em troca, o Estado paga-te juros sobre o valor investido, com capitalização trimestral e, em muitas séries, prémios de permanência que aumentam a rentabilidade ao longo do tempo.
São considerados um investimento sem risco de crédito, porque a garantia é do próprio Estado. O único cenário em que haveria risco seria se Portugal entrasse em incumprimento, o que é extremamente improvável.
Como funcionam na prática
Subscrição mínima e limites
- Investimento mínimo: 100 euros (100 unidades a 1 euro cada).
- Investimento máximo: 250.000 euros por titular, incluindo menores com autorização parental.
- Subscrição: feita através dos CTT, com conta de aforro associada à tua conta bancária.
Capitalização de juros
Os juros são calculados trimestralmente e somados automaticamente ao capital investido. Isso significa que, a cada três meses, os juros do período anterior passam também a render juros — o chamado efeito de juros compostos.
Resgate
- Período de carência: nos primeiros 3 meses após a subscrição, não é possível resgatar.
- Após 3 meses: podes resgatar quando quiseres, sem penalizações, mas perdes os juros do trimestre em curso.
- Séries com prazo fixo: algumas séries (C, D, E) têm reembolso automático no 10.º ano.
- Séries sem prazo fixo: as séries A, B e F podem ser mantidas indefinidamente.
Que juros dão em 2026?
Taxa base (julho 2026)
Para novas subscrições da Série F em julho de 2026, a taxa de juro bruta base é de 2,356%. Esta taxa é calculada com base na média da Euribor a 3 meses dos últimos 10 dias úteis antes do cálculo, mais um spread, mas com limites:
- Mínimo: 0%
- Máximo: 2,5% para a taxa base.
Prémios de permanência (Série F)
Além da taxa base, a Série F oferece prémios de permanência que aumentam com o tempo:
| Período | Prémio de permanência |
|---|---|
| 2.º ao 5.º ano | 0,25% |
| 6.º ao 9.º ano | 0,50% |
| 10.º e 11.º ano | 1,00% |
| 12.º e 13.º ano | 1,50% |
| 14.º e 15.º ano | 1,75% |
Exemplo de rentabilidade
Se subscreveres Certificados de Aforro em julho de 2026, com a taxa base de 2,356%, a taxa total evolui assim ao longo dos anos:
| Período | Prémio | Taxa total bruta |
|---|---|---|
| 1.º ano | — | 2,356% |
| 2.º–5.º ano | +0,25% | 2,606% |
| 6.º–9.º ano | +0,50% | 2,856% |
| 10.º–11.º ano | +1,00% | 3,356% |
| 12.º–13.º ano | +1,50% | 3,856% |
| 14.º–15.º ano | +1,75% | 4,106% |
Vantagens dos Certificados de Aforro
- Capital garantido pelo Estado — risco de crédito praticamente nulo.
- Liquidez elevada — podes resgatar após 3 meses, sem penalizações (apenas perdes juros do trimestre).
- Simplicidade — fáceis de subscrever e gerir através dos CTT.
- Juros compostos — capitalização trimestral aumenta o rendimento ao longo do tempo.
- Prémios de permanência — rentabilidade adicional para quem mantém o investimento a longo prazo.
Desvantagens e riscos
- Rentabilidade abaixo da inflação — em 2026, a inflação esperada ronda os 2,0%–2,2%, enquanto a taxa líquida dos Certificados fica abaixo disso no curto prazo.
- IRS sobre juros — retenção na fonte de 28% reduz o rendimento efetivo.
- Limites de taxa — a taxa base não pode ultrapassar 2,5%, o que limita a rentabilidade mesmo com Euribor elevada.
- Perda de juros no resgate antecipado — se resgatares durante um trimestre, perdes os juros desse período.
Compensam em 2026?
Quando compensam
- Perfil conservador: se queres segurança total e capital garantido
- Curto/médio prazo: se preferes liquidez e não queres mercados voláteis
- Complemento de carteira: como parte de uma estratégia diversificada, para equilibrar risco
Quando podem não compensar
- Longo prazo com foco em crescimento: ETFs, fundos ou PPR podem render mais
- Inflação elevada: se ficar acima da taxa líquida, perdes poder de compra real
- Rentabilidade imediata: no 1.º ano, a taxa líquida (~1,69%) é baixa face a alternativas de risco moderado
Comparação rápida (2026)
| Produto | Risco | Rentabilidade (2026) | Liquidez |
|---|---|---|---|
| Certificados de Aforro | Muito baixo | 1,69%–4,106% (líquida) | Alta (após 3 meses) |
| Depósitos a prazo | Baixo | 2,5%–3,5% (variável) | Média/Baixa |
| PPR (fundo/seguro) | Moderado | Variável (3%–6% estimado) | Baixa (penalizações) |
| ETFs globais | Moderado/Alto | 5%–8% (histórico) | Alta |
Conclusão
Os Certificados de Aforro continuam a ser uma opção segura e líquida em 2026, com a taxa base a subir para 2,356% e prémios de permanência que podem levar a rentabilidade total até 4,106% no longo prazo.
No entanto, a rentabilidade líquida no curto prazo fica abaixo da inflação esperada, o que significa perda de poder de compra real para quem resgatar cedo. Compensam se valorizas segurança, simplicidade e capital garantido, mas podem não ser a melhor escolha se o teu objetivo é maximizar rentabilidade num horizonte de longo prazo.